Amortizar um crédito pessoal é pagar antecipadamente parte ou a totalidade do capital que ainda deve. Pode reduzir os juros futuros, aliviar a prestação mensal ou permitir terminar a dívida mais cedo, consoante a operação acordada.

Mas a decisão exige mais do que comparar o saldo da conta com o capital em dívida. É necessário conhecer a comissão aplicável, os impostos, a data de execução, o novo plano de pagamentos e a reserva que ficará disponível para imprevistos.

Neste guia, explicamos as regras gerais do reembolso antecipado do crédito aos consumidores em Portugal e mostramos exemplos de amortização parcial e liquidação total.

Informação consultada em 20 de outubro de 2026. Os exemplos são hipotéticos e não representam propostas comerciais ou poupanças garantidas. O enquadramento apresentado refere-se a contratos abrangidos pelo Decreto-Lei n.º 133/2009; contratos antigos ou sujeitos a regimes diferentes exigem confirmação específica.

O que significa amortizar crédito pessoal?

Em cada prestação normal, uma parte do pagamento reduz o capital em dívida e outra paga juros. Podem existir ainda impostos, seguros ou outros encargos, consoante o contrato.

Uma amortização antecipada acrescenta um pagamento de capital fora do plano inicial. Pode ser:

  • Parcial: paga uma parte do capital e o contrato continua com um plano ajustado.
  • Total: paga o necessário para extinguir a dívida, incluindo os valores devidos na data da liquidação.

O direito de reembolso antecipado, integral ou parcial, inclui a redução do custo total do crédito através da redução dos juros e encargos do período remanescente. Diário da República — Decreto-Lei n.º 133/2009, artigo 19.º.

Amortizar não é simplesmente transferir dinheiro para a conta associada ao crédito. Deve comunicar a intenção e seguir o procedimento da instituição, para que o montante seja aplicado à redução do capital e não fique apenas como saldo disponível.

Quanto custa amortizar um crédito pessoal?

No regime geral apresentado pelo Banco de Portugal, a comissão depende do tipo de taxa e do tempo entre o reembolso e o termo previsto do contrato:

Limites da comissão no regime apresentado
Situação na data do reembolsoLimite da comissão sobre o capital amortizado
Taxa fixa e mais de um ano até ao fim do contratoAté 0,5%
Taxa fixa e um ano ou menos até ao fim do contratoAté 0,25%
Taxa variávelSem comissão de reembolso antecipado

São limites, não uma indicação de que todas as instituições cobram o máximo. A comissão também não pode ultrapassar os juros que seriam pagos entre o reembolso e o termo do período de taxa fixa. Banco de Portugal — Reembolso antecipado de crédito aos consumidores.

Exemplo de comissão e imposto do selo

Se amortizar 3.000 euros num período de taxa fixa e faltar mais de um ano para o fim do contrato, uma comissão de 0,5% corresponde a 15 euros.

Considerando imposto do selo de 4% sobre essa comissão, acrescem 0,60 euros. O encargo considerado será de 15,60 euros, além dos 3.000 euros de capital.

O Banco de Portugal indica imposto do selo de 4% sobre juros e comissões no crédito aos consumidores. Banco de Portugal — Taxas e encargos do crédito aos consumidores.

Se faltasse um ano ou menos, o limite percentual da comissão sobre os mesmos 3.000 euros seria de 0,25%: 7,50 euros, antes do imposto aplicável. Confirme sempre o valor efetivo e a discriminação dos encargos no seu processo.

Quando não existe comissão de reembolso antecipado?

Além do reembolso durante um período de taxa variável, o regime prevê situações sem esta comissão, como uma facilidade de descoberto ou o reembolso efetuado em execução de seguro destinado a garantir o crédito. Diário da República — Artigo 19.º, n.º 5.

Pode também existir uma condição contratual mais favorável. Peça que a instituição confirme o enquadramento da operação por escrito.

Não confunda ausência de comissão com ausência de qualquer valor a pagar: o capital, os juros já vencidos ou outros montantes legitimamente devidos devem ser apurados na data concreta da liquidação.

As regras apresentadas não devem ser transpostas automaticamente para crédito habitação. Os contratos de crédito aos consumidores anteriores a 1 de julho de 2009 têm regras de reembolso diferentes, conforme assinala o Banco de Portugal. Banco de Portugal — Regras e contratos antigos.

Com quanto tempo de antecedência deve avisar?

O regime estabelece um pré-aviso não inferior a 30 dias de calendário, através de comunicação em papel ou noutro suporte duradouro. Diário da República — Artigo 19.º, n.º 2.

Pergunte à instituição qual o canal aceite, como confirma a receção e em que data será executado o pagamento. Não conte com uma instrução verbal como único comprovativo.

Durante o período de preparação, continue a cumprir as prestações previstas. Peça que o cálculo final considere os pagamentos normais entretanto efetuados, para não confundir um saldo antigo com o capital devido na data escolhida.

Se o dinheiro só estiver disponível numa determinada data, indique essa limitação logo no pedido e confirme quando precisa de ter saldo para capital, comissão e impostos.

Que dados precisa para calcular a poupança?

Reúna o contrato, a FIN, o extrato mais recente e o plano de pagamentos. Para simular, procure:

  • Capital ainda em dívida na data prevista da operação.
  • TAN e indicação de taxa fixa ou variável.
  • Número de prestações que faltam.
  • Prestação de capital e juros, separada de outros encargos.
  • Montante que pretende amortizar.
  • Comissão efetivamente aplicável e impostos.
  • Tratamento de seguros e restantes encargos após o reembolso.

O capital em dívida não é igual à soma das prestações futuras: estas podem incluir juros e outros custos. Também não use o MTIC apresentado no início do contrato como se todo esse valor ainda estivesse por pagar.

Para perceber as diferenças entre indicadores, consulte o guia sobre TAEG, TAN e MTIC.

Exemplo de amortização parcial de 3.000 euros

Considere um crédito com estes dados, já atualizados para a data da amortização:

  • Capital em dívida: 10.000 euros.
  • Prazo restante: 36 mensalidades.
  • TAN fixa hipotética: 9%.
  • Amortização parcial: 3.000 euros.
  • Comissão considerada: 0,5%, acrescida de imposto do selo de 4%.

Como foram feitas as contas

Usámos a fórmula de prestação constante P = C × i ÷ [1 − (1 + i) elevado a −n], com taxa mensal i = 0,09 ÷ 12, capital C e número de mensalidades n.

O exemplo pressupõe execução imediatamente após uma prestação regular, sem juros intercalares por liquidar, sem carência ou capital diferido, sem seguros e sem outros encargos. Mantém a TAN durante todo o prazo. Inclui imposto do selo de 4% sobre os juros futuros e sobre a comissão indicada, sem pressupor isenções.

Os cálculos usam valores não arredondados até ao resultado final. As convenções e os arredondamentos do plano real podem produzir diferenças de cêntimos.

Se mantiver as 36 mensalidades restantes

O capital passa para 7.000 euros. A prestação de capital e juros calculada baixa de 318,00 para 222,60 euros, aproximadamente. Estes valores não incluem o imposto do selo mensal sobre juros; o débito real pode ser superior.

Os juros futuros passam de cerca de 1.447,90 para 1.013,53 euros. A diferença antes de arredondamentos é de 434,37 euros.

Acresce uma redução estimada de 17,37 euros no imposto do selo sobre os juros futuros. Subtraindo os 15,60 euros da comissão com imposto, a poupança nominal estimada é de 436,15 euros, calculada antes dos arredondamentos das parcelas.

É uma poupança distribuída ao longo do prazo, obtida mediante um desembolso imediato de 3.000 euros de capital, além dos encargos. Não corresponde a um rendimento anual de 436,15 euros.

Reduzir a prestação ou encurtar o prazo?

Baixar a prestação pode ser útil se o objetivo for criar margem mensal. Encurtar o prazo pode reduzir mais os juros, mas exige capacidade para manter um pagamento mensal mais elevado.

Não presuma que pode escolher qualquer plano unilateralmente. Peça as alternativas disponíveis e as condições de alteração à instituição.

No mesmo exemplo, se fosse acordado manter a prestação de capital e juros original depois de amortizar os 3.000 euros, o saldo seria pago em 25 mensalidades, com uma última prestação menor. O resultado aproximado seria:

Comparação de amortizações parciais — cenários ilustrativos
Cenário ilustrativoPrestação de capital e jurosJuros futurosPoupança nominal estimada após os encargos considerados
Sem amortização318,00 € durante 36 meses1.447,90 €Referência
Amortizar 3.000 € e manter 36 meses222,60 €1.013,53 €436,15 €
Amortizar 3.000 € e manter a prestação baseCerca de 318,00 € por 24 meses e 47,38 € no último679,32 €783,73 €

A última coluna inclui a diferença do imposto sobre os juros e deduz a comissão de 15,60 euros. Não inclui custos adicionais de uma eventual alteração de condições, devoluções de seguros ou remuneração alternativa do dinheiro.

São cenários matemáticos, não uma garantia de que o banco disponibiliza ambos os planos. Compare as propostas escritas antes de escolher.

Pode testar capital, TAN e prazo no simulador de prestação. Confirme o que a ferramenta inclui: uma prestação simples não equivale ao débito total nem ao valor de liquidação comunicado pela instituição.

Exemplo de liquidação total do crédito

Retomando os 10.000 euros em dívida, TAN de 9% e 36 meses restantes, imagine que liquida todo o capital na data do exemplo.

Liquidação total — cenário ilustrativo
Elemento do cálculo ilustrativoValor aproximado
Capital reembolsado antecipadamente10.000,00 €
Comissão de 0,5%50,00 €
Imposto do selo sobre a comissão2,00 €
Desembolso para liquidar neste cenário10.052,00 €
Pagamentos futuros evitados, incluindo imposto sobre juros11.505,82 €
Poupança nominal estimada1.453,82 €

Os pagamentos futuros incluem o capital que deixaria de estar em dívida: não são todos poupança. O benefício calculado resulta dos juros e do respetivo imposto evitados, depois dos encargos considerados para amortizar.

O valor real de liquidação pode incluir juros entretanto vencidos, impostos e outros montantes devidos. Use a simulação para compreender a operação e peça o valor exato, com data de validade, à instituição.

Estes totais não descontam o valor temporal do dinheiro e não incluem eventuais efeitos sobre seguros. São uma comparação nominal dos fluxos definidos nos pressupostos.

Como comparar a proposta real de amortização

Peça dois planos referidos à mesma data: o que acontece se mantiver o crédito e o que acontece se amortizar.

Na amortização parcial, compare os pagamentos futuros que deixam de existir com o capital pago antecipadamente e os custos da operação. Em termos simples:

Poupança nominal = pagamentos futuros do plano atual − [capital amortizado agora + custos imediatos + pagamentos futuros do novo plano].

Na liquidação total, o novo plano deixa de ter prestações, mas o valor de liquidação deve incluir tudo o que efetivamente pagará nessa data. Evite somar a comissão duas vezes se ela já estiver incluída nesse valor.

Use o mesmo critério para impostos e seguros nos dois lados da conta. Se um encargo se mantiver depois da operação, não o trate como uma despesa evitada.

O manual do simulador de crédito aos consumidores do Banco de Portugal explica como testar alterações de capital, prazo e taxa. A simulação não substitui o apuramento contratual.

O que acontece aos seguros e aos custos já pagos?

Peça que a instituição discrimine a redução dos encargos associada ao reembolso. Não presuma que recebe automaticamente de volta todas as comissões iniciais, nem que todos os custos futuros desaparecem.

Se existir seguro associado, confirme com a seguradora e com a instituição o que acontece à cobertura, ao prémio e a um eventual acerto. Um seguro com prémio mensal pode ter um tratamento diferente de um prémio único já pago ou financiado.

Se o prémio foi financiado, esclareça que parte integra o capital em dívida e se existe algum valor a creditar. Evite contar simultaneamente uma devolução e uma redução de dívida que representem o mesmo acerto.

Para a decisão, distinga valores já pagos, pagamentos ainda devidos e montantes que possam ser reduzidos ou devolvidos segundo o contrato e o regime aplicável. Peça a justificação escrita de cada parcela.

Amortizar ou manter uma reserva para imprevistos?

Uma amortização pode poupar juros e, ainda assim, deixar a família sem liquidez suficiente. O dinheiro entregue ao credor deixa de estar disponível para uma avaria, uma despesa de saúde ou uma quebra de rendimento.

Imagine que tem 4.000 euros de poupança e pondera amortizar 3.000 euros. Depois da comissão de 15,60 euros, restariam 984,40 euros. Pergunte se esse valor cobre as necessidades previsíveis e uma interrupção temporária do rendimento.

Prepare três parcelas: dinheiro para despesas próximas, reserva para imprevistos e montante que pode afetar à amortização. A dimensão da reserva depende do agregado, da estabilidade profissional e das despesas essenciais.

Se comparar com uma aplicação de poupança, use rendimento líquido de impostos, prazo e disponibilidade semelhantes. Evite comparar juros de uma dívida certa com retornos de investimento incertos como se tivessem o mesmo risco.

Se tiver vários créditos, qual deve amortizar primeiro?

Liste cada dívida com o capital, a TAN, os encargos futuros, a prestação e os custos de amortização. Para o mesmo euro de capital, uma dívida mais cara pode oferecer maior redução de encargos, mas compare também as comissões e o objetivo de libertar orçamento mensal.

Não ordene automaticamente apenas pela TAEG inicial: ela pode incluir custos de contratação já pagos. Para escolher o destino de uma amortização hoje, peça o custo que ainda terá de suportar em cada alternativa.

Se existir dívida de cartão, confirme os juros e a modalidade de pagamento no guia sobre pagamento mínimo do cartão de crédito.

Consolidar créditos é uma decisão diferente de amortizar com poupança. Se ponderar essa opção, compare o custo total do novo empréstimo no guia sobre consolidação de crédito.

Como pedir a amortização à instituição

Faça o pedido pelo canal aceite e guarde a resposta. Indique o contrato, se pretende reembolso parcial ou total, o montante e a data pretendida, respeitando o pré-aviso aplicável.

Pode adaptar esta mensagem:

Assunto: Pedido de reembolso antecipado do contrato [número].

Pretendo efetuar um reembolso antecipado [parcial de X euros / total] na data [data]. Solicito confirmação da receção do pedido, do procedimento e da data de execução, bem como a discriminação do capital, juros, comissão, impostos e restantes acertos aplicáveis.

Em caso de reembolso parcial, solicito o novo plano de pagamentos e informação sobre as alternativas de prestação e prazo disponíveis. Em caso de reembolso total, solicito o valor de liquidação válido para a data indicada e confirmação escrita do encerramento após pagamento.

Não envie palavras-passe ou códigos de autenticação com o pedido. Se não reconhecer um contacto ou instrução de pagamento, confirme através de um canal oficial da instituição.

O que confirmar depois do pagamento

  • O valor foi aplicado à redução de capital prevista.
  • A comissão e os impostos correspondem ao que foi comunicado.
  • O novo plano reflete a amortização parcial, quando aplicável.
  • Na liquidação total, recebeu confirmação de que não existe saldo por regularizar.
  • O tratamento dos seguros foi esclarecido.
  • Guardou o pedido, a simulação e o comprovativo.

Não cancele o débito direto antes de confirmar que todos os montantes ficaram regularizados. Peça instruções sobre o que fazer se estiver programada uma cobrança próxima.

Pode também consultar o mapa de responsabilidades de crédito e esclarecer discrepâncias junto da entidade que comunicou a informação. O Banco de Portugal explica que a correção dos dados cabe a essa entidade. Banco de Portugal — Responsabilidades de crédito.

Consulte o guia do mapa de responsabilidades de crédito para interpretar os registos.

Checklist para decidir com números comparáveis

  • Conheço o capital em dívida na data da operação.
  • Confirmei o regime do contrato, a comissão e os impostos.
  • Respeitei o pré-aviso e tenho confirmação do procedimento.
  • Comparei planos para a mesma data e com os mesmos encargos.
  • Sei se o objetivo é baixar a prestação ou terminar a dívida mais cedo.
  • Esclareci seguros e eventuais acertos.
  • Preservei uma reserva para imprevistos.
  • Tenho o novo plano ou a confirmação de liquidação por escrito.

Amortizar crédito pessoal pode reduzir encargos, mas o resultado depende do que falta pagar, dos custos de saída e do dinheiro de que precisa para viver com margem. A decisão fica mais clara quando compara o plano atual com uma proposta de amortização completa e datada.

Conteúdo informativo. Confirme o enquadramento legal, os valores e as condições com a instituição. Se já está em dificuldade para cumprir prestações, comunique a situação e peça avaliação de soluções adequadas, em vez de esgotar a reserva sem um plano sustentável. Banco de Portugal — Prevenção do incumprimento.